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Um jovem escritor e a porta de entrada da literatura na vida de alguém

Por Thayná Peres


Escrever é como você ter uma válvula de escape. Esse foi um dos pensamentos que Luan Cunha, um jovem de 21 anos, paulista de classe média, filho de um eletricista e de uma professora soltou, após algumas perguntas que lhe foram feitas. Estudante de publicidade e propaganda, ele, desde pequeno teve apreço pela arte em todas as suas formas, então a vontade de fazer algo que tivesse a identidade pessoal foi aumentando e, com a escrita não foi diferente, apesar de demorar alguns anos para aprender a escrever, fato que só aconteceu na terceira série do ensino fundamental. Ainda assim, o jovem de personalidade confiante, intensa e que atrai inúmeras amizades, segundo algumas pessoas próximas, viu na escrita a segunda casa, se inspirando em autores como Drummond e Caio Fernando Abreu.

O paulista contou que um dos momentos que mais marcou sua trajetória tanto pessoal quanto na sua relação com a literatura foi quando recebeu um elogio da professora de português, por escrever a melhor redação da turma. Tal episódio pode parecer irrelevante para alguns, mas não para aqueles que assim como o universitário, sonham em ver pessoas buscarem tantos outros escritores porque se admiraram ao ler um livro da autoria dele.

Com o passar dos anos e, ainda com problemas financeiros, responsabilidades que a vida predispõe e sendo um dos 12,04 milhões de pessoas que residem em São Paulo, capital considerada uma das mais poderosas do planeta até 2030, de acordo com um estudo da consultoria Oxford Economics e que, por isso, muitas vezes não permite um contato mais próximo e poético entre as pessoas, o estudante não deixou que a correria do dia-a-dia estagnasse o sentimento e proximidade que ele tem com a literatura e sempre manteve por perto a família e amigos, que o incentivam muito a seguir o caminho que almeja, conquistando assim, outros espaços com as poesias que escreve. Para a mãe, Edilma Santos, é um privilégio saber e ver a relação que o Luan tem com a escrita e com as pessoas ao redor. “Como mãe acho o máximo e fico orgulhosa por isso e por ter um filho como ele, sou sua fã número um”, diz com ânimo.

Há um ano, ele criou uma página em redes sociais, na qual publica alguns dos poemas, crônicas e demais textos de própria autoria e também de amigos. Titulada “Desatinamor”, o trabalho começou de forma simples, sem muita divulgação, mas em poucos meses já apresentou um público expressivo e hoje, conta com cerca de 200 mil seguidores. “A Desatinamor é, antes de tudo, um acúmulo de tudo que já li e vivi dos 14 aos 21 anos. Como sempre escrevi sobre sentimentos, tanto os meus quanto de amigos, percebi que homens e mulheres sentem de maneiras parecidas”, explicou ele.



A namorada, Natália Cintra, comentou que ao criar a página, o escritor uniu o útil ao agradável misturando o que escreve com produtos e vendendo-os. “Ele precisa de dinheiro e a página tem certo reconhecimento, assim, o Luan está fazendo o que todo mundo desejaria: ganhar dinheiro trabalhando com o que gosta”. Ela expôs que quando se conheceram, no início da faculdade, não imaginava que ele escrevia, só após algumas conversas e início do relacionamento é que soube das atividades e teve acesso a algumas crônicas autorais do namorado. “Hoje, vejo que a literatura e a página o ajudaram muito profissionalmente e pessoalmente, pois as pessoas veem o que ele faz e se identificam com o que o Luan escreve, inclusive, ele já deu diversas entrevistas por causa disso”, afirmou.


Ainda no segundo ano do ensino superior e, mesmo considerando que a graduação de publicidade e propaganda vende uma “falsa ideia de que o profissional terá oportunidade de usar toda sua criatividade”, foi nesta que ele encontrou um incentivo para ingressar profissionalmente na arte literária, também como forma de expressar o que sente e pensa. E agora, parafraseando Natália, a companheira do jovem escritor, ele pode ser considerado alguém doido demais para esse mundo ou uma pessoa que não se encaixa perfeitamente no que vive, mas dá um jeito de viver e seguir em frente por meio da literatura, como muitos outros artistas. 

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