Por Thayná Peres
Na fila de espera do ponto, em frente ao Museu Oscar Niemeyer, observo uma quantidade razoavelmente grande de pessoas, que, assim como eu, aguardam avidamente pela chegada do ônibus da linha de turismo curitibana. O roteiro de viagem começa na Praça Tiradentes, mas pode ser aguardada em outros pontos. Atrás de mim, está uma mulher de cabelo curto, vestido e óculos escuros que protegem sua retina da forte iluminação de uma tarde ensolarada de terça-feira. Aparentemente, ela é a única que não está com o celular em mãos.
Na fila de espera do ponto, em frente ao Museu Oscar Niemeyer, observo uma quantidade razoavelmente grande de pessoas, que, assim como eu, aguardam avidamente pela chegada do ônibus da linha de turismo curitibana. O roteiro de viagem começa na Praça Tiradentes, mas pode ser aguardada em outros pontos. Atrás de mim, está uma mulher de cabelo curto, vestido e óculos escuros que protegem sua retina da forte iluminação de uma tarde ensolarada de terça-feira. Aparentemente, ela é a única que não está com o celular em mãos.
Após alguns minutos de espera, resolvo me aproximar e iniciar uma conversa com a moça, que se chama Amanda de Lins. Ela conta que é de Paraíba. Com sotaque marcante, garante que sua terra natal também atrai inúmeros turistas, e que, para os amantes de praia, é um magnífico destino para se passar uma temporada.
O assunto com a paraibana estende-se e, então, a linha turística chega. Para embarcar, comprei uma cartela com cinco tíquetes. Com essas passagens, cada pessoa tem direito a um embarque e quatro reembarques. Aí começa minha excursão rumo ao conhecimento local e, arrisco dizer, também sobre os indivíduos presentes naquele espaço.
Sentadas na parte superior do veículo e durante o bate-papo, ela relata que é a primeira vez que vem à capital paranaense. “Sempre achei Curitiba uma cidade fascinante e já fazia algum tempo que pretendia conhecê-la pessoalmente.” A moça explica que fez uma pesquisa rápida via internet, para se informar sobre os locais mais visitados daqui e descobriu que havia uma linha exclusiva para o trajeto por esses pontos turísticos.
Menciono a Amanda que percebi que ela era a única que não estava com o celular nas mãos e a nordestina ressalta o quanto tenta não ficar presa a aparelhos eletrônicos, por achar que estes dispersam muito a atenção. “Muitas vezes, fazem as pessoas perderem experiências incríveis”.
Enquanto ela conta os diferentes motivos pelos quais resolveu vir até a cidade e o que a difere da região nordeste do país, permaneço atenta não só ao diálogo, mas também ao restante do público presente naquela máquina motora. A cada 30 minutos para num dos pontos a serem visitados pelos viajantes. As pessoas conversam com seus acompanhantes, olham o celular e, em alguns momentos, o utilizam para registrar aquele momento.
Logo a nossa frente, noto um rapaz de meia-idade, que ao contrário do restante dos outros turistas, não observa muito os lugares. Acompanho então, sem piscar os olhos este homem, que no mesmo período de chegada que o ônibus leva de um local a outro, não desgruda o olhar da tela do telefone. Amanda, inclusive, comenta de forma sarcástica que esse rapaz pagou R$ 45 para ficar olhando o celular dentro de um ônibus turístico, ao invés de aproveitar o passeio.
“Talvez ele acha mais interessante ou importante o que está no celular e não toda essa deslumbrante paisagem”, diz. Sorrio meio de lado, pois já agi inúmeras vezes como ele e logo me volto à vista proporcionada pelo andar de cima do ônibus. Depois de uma hora percorrendo a linha feita pelo veículo, a paraibana desce num de seus destinos tão esperados, a Ópera de Arame, e se despede.
Retorno meu olhar às pessoas sentadas. O rapaz com celular, diferentemente da paraibana, não quis descer e ser um dos 2.400 espectadores que a Ópera de Arame pode receber. Na verdade, ele parece ter preferido ser parte dos 73% dos brasileiros que possuem smartphones e não saem de casa sem eles. Ou mesmo das pessoas diagnosticadas com nomofobia, que caracteriza aqueles que não conseguem se concentrar em outras atividades enquanto estão com um celular por perto.
Já ao final do tour, que durou cerca de duas horas e meia, deparo-me com lugares que nem mesma sabia que existia em Curitiba. Conheço parques com estruturas extraordinárias, bairros que contrastam entre moradores de classe média alta e classe baixa. Também constato, em uma observação empírica e pela primeira vez, sem utilizar muito o celular, que enquanto algumas pessoas e eu navegamos pelos ambientes mais diversos de Curitiba, circulados pela linha de turismo, outras optam por navegar constantemente pelo ambiente virtual.

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